quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Mudança de Website e Blogs

agosto 07, 2019 0
Queridos leitores;

Já por algum tempo, tenho estado a pensar em publicar todos os meus artigos e serviços num único Website. Um que englobasse os projetos Escrita Lusófona, Escrita em Desafios e a loja para que possa vender os meus livros e marcadores. As várias páginas que tinha acabavam por me fazer dispersar.


Criei várias páginas, porque pensei que fosse mais fácil para os leitores as encontrarem, uma vez, que tinham objetivos diferentes. Embora, todos tenham em comum o gosto pela leitura e pela escrita. Todos fazem parte do meu trabalho e é mais fácil para mim publicar tudo num só sítio online. Também acredito que seja mais fácil para os leitores encontrarem e terem vários projetos no mesmo sítio. Assim, surgiu os Escritos de Marta Sousa, que engloba tudo o que faço. Espero que gostem.

Não irão ser mais publicados artigos nos blogues Escrita em Desafios nem Escrita Lusófona, o Website foi apagado.

Obrigada pela vossa compreensão e encontramo-nos por lá.


Marta Sousa



domingo, 4 de agosto de 2019

Desafio Vinte Nove - «Proteges-me?»

agosto 04, 2019 2


(Escreve um texto com seiscentas (600) palavras ou um poema sem mínimo de palavras.)


Quando o céu cair,

quando chão fugir

e o mundo deixar de fazer sentido:

Proteges-me?

Aninhas-me no teu colo...

deixas os rios de lágrimas correr...

Ouves-me até ao amanhecer.

Deixas o Sol da dor

se pôr.




Aconchegas-me nos lençóis do amor

afugentas a dor

enfrentas o mundo comigo

defendendo-me de qualquer inimigo.




Relembras-me da minha força,

das minhas qualidades enterradas no medo.

Acordas-me para os meus sonhos

que resistem através de tudo...

Alimentas-me de calor e de crença.

Dizes que as conquistas que levam o seu tempo

têm mais valor do que qualquer pressa.




Protege-me da dor,

de mim e do mundo

até o calor da alegria voltar.

 

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domingo, 28 de julho de 2019

Desafio Vinte Oito - “Sempre ouvi dizer que as raparigas são incapazes de guardar um segredo.”*

julho 28, 2019 0




(Escreve um texto com mil palavras no mínimo.)



Sempre ouvi dizer que as raparigas são incapazes de guardar um segredo. Nunca acreditei nisso, afinal sou mulher e sempre fui capaz de guardar um segredo. A minha própria mãe dizia que as mulheres não são de fiar. Nego-me a aceitar isso porque tenho a certeza que não sou a única mulher no mundo a ser capaz. Cecília também é assim, por isso, somos amigas desde os tempos de escola. Confiei-lhe um segredo que poderia destruir a minha vida. Um segredo que me envergonha profundamente e sobre o qual não tive controlo algum.

O meu marido, Domingos, não o sabe e é a última pessoa que pode saber. Ele ia compreender tudo mal e nunca mais as coisas seriam como antes. Tudo por um pequeno erro que nem sequer tive consciência de o fazer. Não deveríamos ser castigados pelos erros que não temos consciência, mas a verdade talvez seja se tivéssemos total consciência dos nossos erros nunca os cometeríamos, não é verdade?

Pensava nisto enquanto arrumava o arquivo da firma de arquitectura, na qual sou secretária. Apesar de ter o segredo seguro com a minha amiga, a única pessoa com quem falo realmente de tudo, a minha consciência doía e pensava e repensava na noite que tirou a minha paz de espírito. O remorso é uma tormenta que não nos larga nem por um segundo. Domingos passa o tempo a dizer que estou diferente, o meu chefe veio-me perguntar se está tudo bem. A dizer que desde o jantar de convívio do último trimestre ando diferente, menos concentrada. Como poderei estar concentrada? Eu própria não compreendo o que aconteceu!

Ouvi o meu telemóvel a tocar. Era Cecília. Respirei fundo finalmente alguém com quem falar.

– Olá Marília! Tudo bem? Olha queres ir almoçar hoje?

– Sim, mais do que quero! Preciso! – exagerei.

– Ainda sobre aquilo, hã?

– Como posso deixar de pensar?

– O que passou, passou. Por muito que penses não podes voltar atrás e fazer diferente. Relaxa. Está tudo bem. Ninguém sabe.


– Não está tudo bem, eu não estou bem. Vou ter contigo na hora de almoço.



Depois da hora de almoço, sentia-me melhor. Cecília conseguia sempre animar-me. Ela era um verdadeiro anjo da guarda na minha vida. Quando cheguei a casa, vi tudo escuro como se não estivesse ninguém em casa. Achei muito estranho, Domingos já deveria ter chegado a casa. Acendi a luz do corredor e depois entrei na sala e vi que Domingos estava sentado no sofá com uma garrafa de vodka no colo. O seu olhar era assustador. Senti um arrepio na espinha. Ele sabia.

– Finalmente… chegaste… Estava a tua espera… Queria te perguntar o que se passou mesmo naquele jantar de trabalho em que acabaste por passar a noite com a Cecília…

Ele estava completamente bêbado e a dor dos seus olhos eram como facas lançadas ao meu coração. Como ele sabia? Quem lhe disse? Não consegui articular palavras enquanto a minha mente apenas gritava estas questões. Domingos levantou-se. Cambaleou até mim e tocou-me gentilmente no rosto e senti que todo o meu corpo encolhia quando normalmente o gesto aquecia-me o coração.

– Nunca dormiste na casa da Cecília, pois não? – a dor nos olhos de Domingos, aquele homem gentil que me amparava em tudo, que me fazia sorrir até das minhas falhas. Sentia como o chão tivesse fugido dos meus pés e a falta de ar impedia-me de pensar. – Explica-me por favor! Conta-me mentiras se tiver que ser, mas não me digas que me traíste com aquele estafermo do Guilherme. Tudo menos isso!

– Eu não me lembro do que se passou… – contei a verdade que me atormentava. – Estava no jantar e bebi um pouco de vinho e apaguei… quando acordei estava na casa do Guilherme…

– Porque não me contaste?! – Domingos lançou a garrafa a parede. – Tiveste alguma coisa com ele?

– Porque não sei o que se passou! – gritei exasperada – Não sei! O que posso pensar se acordei nua na cama de um colega? Saí antes de ele acordar e telefonei para a Cecília. Nunca falou comigo sobre o assunto e eu tive medo de perguntar. Eu nunca quis trair-te, nem me lembro de nada! Sei que só te amo a ti!

Por momentos pensei que Domingos fosse-me esbofetear, mas não. Ele puxou-me para si e beijou-me com uma ânsia que não sabia que ele tinha. Esfregou todo o seu corpo em mim como se fosse uma esponja a lavar-me. Fez amor comigo, furiosamente, ali mesmo na sala sem me dar oportunidade de falar nem mais uma palavra. Fiquei surpreendida com aquela forma de amar que desconhecia nele. Ele só murmurava «não te vou deixar para mais ninguém… nunca mais duvides de mim ou me escondas nada… nada». Eu pensei que fosse o final, mas foi uma forma da nossa relação ficar mais forte.

Só Cecília poderia ter falado com ele, uma vez que Guilherme não tinha como dizer-lhe não se conheciam. Nem tinha o número dele. Quando fui ter com Cecília e confrontei-a, ela desmentiu ofendida. Não entendia porque depois de tantos anos, ela faria tal coisa. Talvez as mulheres não sejam capazes mesmo de guardar segredos. O meu coração consumia-se na dor.

No dia seguinte, vi Cecília a entrar na minha empresa. Apressei o passo para lhe dizer que não havia mais nada a falar. Quando entrei no escritório, ela não estava na receção, mas no gabinete de Guilherme. Aproximei-me da porta.

– Porquê?!

– Conheço-a antes desse tal Domingos e eu sempre a pensar que ela ia ceder… quando ela anuncia que vai-se casar! – riu-se amargamente. – Eu não deixei de tentar, mas ela sempre se fingiu de parva! Pensei que uma droga ia a ajudá-la a ceder…
– És mesmo um homem triste...– Cecília agarrou-lhe o colarinho – Eu não tenho nada a ver com isso! Por causa de ti, a Marília pensa que eu a traí. Vais dizer-lhe a verdade senão…

– Senão o quê? Não tens nada contra mim! – empurrou-a e ela bateu contra a porta em que eu estava encostada. Acolhi-a nos meus braços e saímos juntas do escritório.









* Frase retirada do livro Danças na Floresta de Juliet Marillier.
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domingo, 21 de julho de 2019

Desafio Vinte Sete – “Se numa noite de inverno, um viajante…”*

julho 21, 2019 0

Escreve um texto com oitocentas palavras.




Se numa noite de inverno, um viajante... aparecesse na sua casa? Quando mora nas montanhas e a próxima vila é a quilómetros de distância? Quando os nevões acontecem quase todos os anos? Conseguia ignorar o seu pedido de abrigo?


Anabela não conseguia. Por isso, criou uma pequena residencial com caminhadas pela montanha, quase tudo feito por ela e pela sua família. Tinham vindo para aquela região porque o seu marido, Adérito, foi chamado para assistir em várias clínicas e no hospital local. Anabela sabia que iria ser difícil ter trabalho ali, mas aceitou vir com ele. Aceitou deixar de trabalhar pela sua família.

Naquele local pouco ou nada acontecia e quando acontecia eram chatices como um nevão e ter que tirar a neve dos caminhos ou uma árvore que caiu na estrada. A única novidade eram os viajantes que acabavam por aparecer ali, muito perdidos por não encontrar a estalagem certa. Anabela gostava que fosse por a sua pequena pensão ser um sucesso, mas não era o caso. A pensão era demasiado pequena e ela não tinha muitas atrações, além de ser muito difícil de encontrar, a estrada que levava até ela ainda era de terra batida e as caminhadas pela montanha não eram para qualquer pessoa.


Uma noite de nevão, chegou um viajante. Sem carro ou mochila. Perdido como o seu olhar, pediu abrigo por troca de trabalho e entregando o pouco dinheiro que trazia no bolso. A sua filha Vanessa ficou encantada com o mistério. No entanto, o viajante com o nome de Manuel, queria a sua distância e o máximo de espaço possível. Anabela aceitou o seu trabalho. Não conseguia deixá-lo na rua mesmo se não oferecesse nada como pagamento… Como conseguia um homem andar pela montanha com aquele nevão?

O seu rosto de vinte e muitos anos, barba, face fechada e carrancuda e o seu corpo forte e robusto com os seus cabelos longos e negros faziam-no parecer um ex-presidiário. A sua presença fazia Anabela sentir-se apreensiva, como ele fosse atacar a qualquer momento. Vanessa, por seu lado, parecia ter encontrado o amor da sua vida. Apesar de ele fugir de todas as suas investidas de conversa, ela insistia como uma adolescente apesar de já ter dezoito anos. Anabela olhou-a de forma reprovadora, mas ela ignorou a mãe. Quando ela a chamou para ir à cozinha ajudá-la o seu comentário foi:

– Ele não é lindo? E sexy! Já viste ele tem uns músculos que se revelam na camisola?

– Vanessa! Ele é um hóspede! Não sabemos nada sobre ele. Já tens idade para ter juízo! – Como resposta à sua repreensão a filha, encolheu os ombros como a fazer pouco da sua preocupação. Em vez de a acalmar só fez com que se preocupasse mais. Pediu ao seu filho, Filipe, para vigiar a irmã, ele, por sua vez, olhou para a mãe com uma cara desgostosa como se dissesse « tenho coisas melhores para fazer».

Anabela abanou a cabeça, o que havia de errado com os filhos? Já estariam tão habituados a estranhos que já nem tinham noção do perigo? No entanto, Anabela observou Manuel enquanto limpava as mesas do pequeno almoço. Ele estava sereno e concentrado na sua tarefa e mesmo quando Vanessa o chamou, ele ignorou-a. Só depois de muita insistência, ele recusou ir fazer caminhada. Ele parecia estar a evitar a convivência com eles, tanto quanto Anabela desejava. Estranho sentimento de confiar mais no desprezo de um estranho do que na insistência da filha…

Tudo parecia calmo quando três dias depois da chegada de Manuel, quatro homens muito altos e todos vestidos de fato, vieram à estalagem. Pareciam aqueles agentes do FBI que se viam nos filmes. Muito direitos com uma disciplina militar sentaram-se no café da estalagem como fossem donos de toda a região. Anabela pediu para os filhos e para a empregada do bar irem para a cozinha e foi atendê-los tentando deixar o mau pressentimento que a assombrava desde que Manuel chegara à pensão. As pernas falharam as suas intenções de parecer forte, tremiam como varas verdes.

– Bom dia! O que vão querer? – perguntou da forma mais natural que conseguiu.

– Bom dia – respondeu um dos homens de fato – queremos informações, podemos fazer-lhe algumas questões?

A barriga de Anabela revolveu-se como se um tornado tivesse surgido dentro de si. Precisou de toda a sua força para se manter de pé.

– Sabem isto é um café e pousada, não um centro de informações… Estão perdidos, é isso?

– Muito bem. – respondeu outro agente olhando severamente para o que tinha falado primeiro – nós queremos quatro cafés e saber se viu este homem nos últimos dias? – mostrou-lhe a foto de Manuel.

Anabela pensou o que deveria responder enquanto ouvia Vanessa a gritar à procura de Manuel e a contar a Filipe que não o via desde do dia anterior.



*Frase retirada do livro Se Numa Noite de Inverno Um Viajante… de Ítalo Calvino.
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