domingo, 23 de junho de 2019

Desafio Vinte Três – Uma vida de sonho

junho 23, 2019 0

(Escreve um texto com oitocentas palavras.)

Rute tinha conquistado uma vida de sonho. Era diretora de uma empresa, tinha um belo Mercedes e um Porshe na garagem e uma mansão como sempre sonhara. Uma casa com oito assoalhadas, piscina, espaço com árvores de fruto e jardim. Tinha uma biblioteca como sempre sonhara quando era criança. Ocupava duas divisões, tinha feito obras especialmente e estantes à medida para colocar todos os seus livros e ainda tinha espaço para os novos que desejasse comprar. Adorava sentar-se no seu cadeirão ao lado da janela com vista para o jardim. Aquela divisão da casa era a sua preferida. Sempre desejara fazer algo assim. Os móveis de madeira maciça, os quadros com paisagens, a luz a surgir das janelas que davam para um varandim.  Tinha a sua casa nova, tinha pessoas que cuidavam da casa e a única divisão que utilizava era aquela e o seu quarto.

Talvez, porque quando o fim de semana chegava, não se sentia mais preenchida. Chegara ao topo da hierarquia da empresa, pouco tinha para fazer nos tempos livres que costumava utilizar para trabalhar mais e ser promovida. Sentava-se naquele cadeirão, pousava o livro na mesa ao lado e olhava para os campos com olhar perdido. Faltava-lhe algo. Toda a vida tinha trabalhado duro. Tinha casado depois divorciou-se porque não pode ter filhos e o marido queria. Tentara mais uma ou duas relações mas compreendera que sentia-se melhor sozinha. Mesmo gostando das suas personalidades nunca mais sentira a vontade de ficar muito tempo com alguém que não fosse ela própria. Assim, ficou com muito mais tempo para o que a fazia mais feliz: a sua carreira.

Olhou para o horizonte. Tinha feito tudo o que lhe pediram, o que a sociedade lhe dissera que era certo, mas agora olhava para aquela casa que pensou que a preenchesse... Aquela era a sua vida de sonho. O que se passava? Porque não se sentia feliz?

Voltou a pegar no livro que estava a ler que era Jane Eyre e leu a frase que sobressaía da página:

« É ilusório dizer que os seres humanos deveriam ficar satisfeitos com a tranquilidade. Na realidade, precisam de acção e quando não a podem encontrar, têm de inventar.»

Rute sorriu e pensou que aos cinquenta anos poderia ela encontrar uma nova emoção? Depois Rute pensou nas perguntas mais difíceis de responder e talvez as que deveriam ser as mais fáceis. Porque não era feliz? Como poderia ser feliz?

Decidiu ir passear pelo seu pequeno pomar enquanto refletia sobre o assunto.  Caminhou até ao pomar ainda a pensar no assunto. Quando lá chegou viu o jogo de luz do sol de primavera, quente e a brisa fresca a agitar as folhas. Todo o quadro de cores das árvores, sombras e luz distraiu-a das suas questões interiores. Por momentos apenas aproveitou a sua casa, o seu pequeno paraíso. Quando o céu começou a ter uma tonalidade rosa, Rute decidiu voltar para a sua casa. Quando entrou viu a sua D. Emília a sair.

– Doutora,  o seu jantar está no forno e aqui está a correspondência. – despediu-se e saiu.

Rute ficou a olhar para as cartas de contas entre elas estava um folheto publicitário. A D. Emília não o devia ter visto. Ela observou o curioso folheto de viagens. Era daquelas excursões para reformados com preços reduzidos por ter uma ação publicitária. Ela nunca pensara que já estava a chegar àquela idade. À idade de reforma. Uma ideia que a assustava. Ela olhava o folheto que estava a indicar uma viagem de três dias para Espanha. Rute nunca pensara em ir, mas naquele momento pensou que talvez fosse divertido. As vezes que viajava era sempre a negócios, por vezes, aproveitava para passear um pouco, mas a última vez que tinha ido viajar de férias já tinha sido há muito tempo. O seu coração saltou de emoção e de receio com a ideia de viajar o mundo. Ela poderia fazer facilmente nas férias. Até poderia começar a ir numa excursão daquelas. Teria de fingir ser mais pobre do que era, mas isso até bom. Tinha saudades de sair com amigos. A idade, as tarefas e principalmente o seu divórcio tinham-na afastado de amigos. Foram ficando cada vez mais longe até nunca mais saberem uns dos outros.

Rute imaginou-se numa carrinha cheia de pessoas vestida com roupas simples e por três não ter outra preocupação que não revelar demasiado o seu estatuto social. A ideia louca pareceu-lhe muito divertida. O seu coração pulava feliz no peito como se descobrisse que ainda batia. Depois disso, iria viajar por Portugal durante os feriados e o mundo durante o seu mês de férias. Um país de cada vez. O melhor é que tinha muito tempo para as desfrutar. Sorriu para a sua nova vida de sonho enquanto pegava no telefone.


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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Desafio Vinte – Um Fantasma Simpático

junho 17, 2019 0


(Escreve um texto com seiscentas palavras.)


Ana sempre tivera vergonha da mãe. Na escola quando lhe perguntavam o que a mãe fazia, dizia que fazia consultoria. Uma mentira que no ponto de vista da mãe era verdade, por isso, deixava-a dizer isso. A sua mãe, Íris, ria e gozava vivamente com a sua vergonha e dizia-lhe frequentemente: «Ana tu só tens de ser tu própria e não esconder nada sobre ti para que realmente gostem de ti». Ana desconfiava seriamente que a sua mãe não tinha ido à escola. Ela deveria ter saltado toda a parte da puberdade. Ela não acreditava que a mãe nunca tentara sequer ser normal. O pai de Ana tinha morrido quando era bebé num acidente de carro. A sua disse-lhe apenas: «ele seguiu para a luz. Devemos deixar seguir o seu caminho» como se as lágrimas não a traíssem sempre que falava dele. Naquele momento, ela estava farta. As suas colegas fizeram uma pressão simpática para fazer os trabalhos na casa dela e ela não conseguia fazer com que a mãe cooperasse com ela.

Mãe, por favor, por favorzinho, mete a casa normal hoje – suplicou – não, não deixa que eu faço isso, eu arrumo tudo antes de ir para a escola e tu apenas tens que deixar estar! Só isso! Please!

Filha, querida, sabes que não precisas de fazer isso… Faz como quiseres, eu vou estar lá em baixo a dar consultas. – beijou-a e deixou-a.

Ana tinha acordado mais cedo especialmente para tirar todos os objetos estranhos da casa e fazer com que parecesse uma casa normal. Sem esquisitices. Tudo estava perfeito. 

Finalmente pegou na mochila e foi para a escola.

Tudo estava a correr bem. As colegas soltaram uns gritinhos ao ver o consultório da mãe. Centro de Ser – aconselhamento, conversa com guias. Claro, como poderiam não gozar? Quando chegaram a casa, Ana sentiu o cheiro do incenso. O coração começou a bater mais forte. «Não acredito. Não me digas que ela mudou a arrumação!» pensou. No entanto, quando entrou estava tudo no sítio. Quase tudo. O incenso estava a queimar e ela ficou apreensiva ao olhar para as colegas. Elas reconheceram o incenso.

– Eu uso o mesmo incenso! Cheira tão bem! – disse Paula.

Foram para o seu quarto como habitual. Estavam a estudar até Ana ouvir um pequeno barulho na cozinha. Ela perguntou-lhes se elas tinham ouvido. Ninguém tinha ouvido, com receio que fosse a sua mãe, Ana levantou-se e foi até à cozinha. Quando chegou lá viu um homem. Será que a mãe tinha dito a um dos clientes para subir? Era raro, mas às vezes acontecia. Tinha de o fazer logo naquele dia?

– Boa tarde, desculpe, foi a minha mãe que pediu para vir para aqui?

– Ah! – ofegou, nervoso parecia não esperar ter companhia –, sim, pode-se dizer que sim. 

Sabe onde ela está? Eu gostava muito de falar com ela. Tenho um recado importante.

Ana olhou para o homem confusa.

– Como assim onde ela está? – ao responder ouviu passos atrás dela, virou-se e viu as colegas a rir-se dela. – O que foi?

– Ana estás a falar sozinha? Isso é muito creepy!

Ana voltou-se para o homem que olhou de volta para ela com um sorriso apologético. Ana não acreditava no que estava a acontecer.

– Vocês não vêem o homem que está ali? – perguntou e elas riram-se mais e disseram que não.

– Ok, Ana, não vale a pena tentares assustar-nos, nós vimos-te a falar sozinha, mas não vamos-te achar maluca. – riu-se Jessica.

Ana voltou a olhar para o fantasma que fez um gesto de desculpa e desapareceu. Ana ficou pálida sem conseguir explicar o que tinha visto.



quinta-feira, 13 de junho de 2019

Série Predadores da Noite de Sherrilyn Kenyon

junho 13, 2019 0

Esta é uma série de romances de fantasia empolgante que concilia deuses gregos, vampiros, magia, demónios, lobisomens e homens que se transformam outros animais, entre outros seres fantásticos. São romances sensuais, mas têm um lado sombrio. O enredo está muito bem pensado. Quando se pensa que já se sabe tudo sobre esta história, acaba-se sempre por descobrir ainda mais. São sempre surpreendentes!


O que eu gostei mais nesta série é das personagens com características tão diferentes das personagens por quem se apaixonam. Geralmente, começam sempre por ser amores impossíveis ou proibidos, o que torna tudo mais interessante. A dinâmica entre si e o sarcasmo das personagens dá um toque de graça (na minha opinião).


O que menos gostei foi do lado sombrio, dos sofrimentos das personagens até encontrarem o amor. Principalmente, no livro Acheron que me fez muita impressão e custou-me a ler a primeira parte da história.


A partir de um certo livro na série ( já não me lembro bem, mas deve ser o sétimo ou oitavo) é preciso ter lido os livros anteriores para entender melhor a história, mas nos primeiros livros não é necessário. A linguagem é atual, fácil de ler e é engraçado encontrar tantas referências de músicas e programas de televisão.



Li dezasseis livros da série, mas existem mais, limitei-me apenas aos livros que tinha. Ainda existem livros da série por ser publicados, por isso, se quiserem tem muito para ler! :)






PS: Demorou para acabar esta série (confesso que acabei por ler outros livros ao mesmo tempo), mas agora vou passar para a minha coleção de literatura romântica e tenho alguns livros portugueses, fiquem atentos que as opiniões vão ser publicadas no blogue Escrita Lusófona ;)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Sentimentos de Cristal

junho 10, 2019 0
Um coração tão puro,
inocente,
com ideais e sonhos utópicos
ama o sorriso dos outros,
luta pelos seus sonhos.

Coração de cristal
que pelos seus sonhos tão elevados
é alvo das flechas da desilusão,
da frustração,
da dor infligida pelos outros.

O coração cansado parte-se em mil pedaços.
A alma amargurada deixa-os no chão,
são pisados pela a inveja,
o gozo,
a traição,
a indiferença...

Coração estilhaçado,
transformado em pó,
é levado pelo vento do norte,
acolhido pela desconfiança.

Fez o seu lar no icebergue da distância
nunca mais se viram os cristais nele incrustados.
Tornou-se coração de gelo.

Os seus segredos nunca mais ninguém conseguiu desvendar...


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Textos de Marta Sousa. Com tecnologia do Blogger.